Open/Close Menu Hospital de Olhos

A adolescência é um tempo de constantes mudanças e descobertas. É nessa fase que acontecem as principais transformações do corpo e também quando algumas enfermidades podem aparecer traiçoeiramente, como é o caso do Ceratocone – doença não-inflamatória progressiva do olho em que mudanças estruturais deixam a córnea mais fina e modificam sua curvatura normal para um formato cônico. A patologia corresponde a maior causa de transplante de córnea no Brasil, atingindo uma taxa entre 60% e 65% nesse tipo de intervenção cirúrgica.

Na Oftalmax pelo menos um em cada 10 pacientes que atendo são diagnosticados com a doença. Ela se inicia de modo insidioso, na maioria das vezes como miopia ou astigmatismo irregular, fazendo com que o paciente troque o grau com muita frequência. Os primeiros sintomas são: baixa na acuidade visual, podendo ser moderada ou severa, visão embaçada, imagens duplas e fotofobia.

Outros fatores influenciam de forma maior ou menor na evolução da patologia. Estudos sugerem que o Ceratocone provavelmente surge de um número de diferentes fatores: genético, ambiental ou celular e qualquer um deles pode formar o gatilho que irá dar início a doença. Há médicos que também o associam ao ato de coçar os olhos. É comum o paciente ter rinite alérgica ligada ao Ceratocone, o que faz com que ele coce os olhos com frequência. O tratamento clínico adequado e precoce desses casos pode minimizar estes sintomas e consequentemente diminuir o ritmo da progressão da doença.

O Ceratocone pode ser classificado em quatro graus evolutivos. No estágio inicial não há alterações importantes nos exames clínicos senão a baixa da visão, que pode ser corrigida com óculos ou lentes de contato. Já nos casos mais avançados, as transformações são evidentes, consistindo no afinamento e no formato cônico da córnea. Nessa fase, a visão só melhora com o uso de lentes de contato especiais ou com a realização de tratamentos cirúrgicos.

Atualmente, existem algumas técnicas cirúrgicas que permitem o tratamento adequado da doença, como, por exemplo, o implante de segmentos de anéis intracorneanos, o transplante lamelar anterior (troca-se apenas a porção mais anterior da córnea) ou penetrante (troca-se toda a espessura da córnea). O tratamento cirúrgico mais recente para tentar impedir a progressão é conhecido como CXL ou crosslinking do colágeno com riboflavina, que consiste em fazer ligações no colágeno da córnea, aumentando sua resistência e diminuindo a chance de avanço da doença. Este tratamento tem sua maior indicação nos casos iniciais.

Apesar dos vários tratamentos para tentar proporcionar uma boa visão ao paciente, o diagnóstico precoce e a prevenção são as melhores indicações para combater esta doença tão frequente no consultório de oftalmologistas de Pernambuco. Por isso, são fundamentais as consultas periódicas, desde a infância. Quanto mais cedo este diagnóstico for feito, maior será a chance de se estabilizar a progressão da doença e diminuir a incidência de transplante de córnea, tão temido pelos pacientes.

Dra. Anamaria Coutinho

CategoryArtigos
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